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A MOAGEM DE ALJEZUR

 

A moagem de Aljezur, quando fundada por José Brabo Marreiros, em 1914, era movida a vapor. Os documentos do licenciamento industrial revelam que, em 1930, à máquina de vapor sucedeu um motor de combustão interna. A casa do motor de gás pobre e o local dos geradores, necessários ao seu funcionamento, situavam-se à esquerda da entrada, no piso térreo. Em frente e à direita, estava mas máquinas que faziam o ciclo da farinarão. O grão era descarregado ao fundo e à direita, no tegão.

 

Daí, e através de um elevador de alcatruzes, o cereal ia para as operações de preparação, no piso superior - passando no joeiro, na bandeja de retirar pedra e no aparelho de limpeza do sistema francês - até ser armazenado, sobre as mós, que abastecia. Estas, implantavam-se numa bancada disposta perpendicularmente à parede do fundo. Um peneiro completava o conjunto. 

 

Em meados da década de 1930, o motor a gás pobre, da marca Crystoph, foi substituído por outro, de óleos pesados, do fabricante Robinson. A Sociedade Industrial Aljezurense, Limitada, comprou a fábrica em 1941. O descasque do arroz funcionou até meados da década de 1940. Do encerramento desta área surgiu o edifício habitacional, vizinho, de 3 pisos.

 

Dissolvida essa firma, em 1960, as instalações fabris passaram para Manuel Duarte Fragoso. Em meados da década de 1960, passou a trabalhar nesta fábrica o moleiro Ricardo Lourenço Vilhena. Foi da sua responsabilidade a reformulação da instalação realizada em 1969. Então, a bancada passou a ficar encostada à parede e a contar com três moendas. O motor a gasóleo foi eliminado, passando a força motriz a ser eléctrica, com um motor em cada casal de mós. Mantiveram-se as máquinas que faziam a movimentação do cereal e a sua limpeza, no piso elevado.  Actualmente, estas foram removidas, para o local ser usado como sala ampla. 

 

Esta moagem laborava com grão recolhido de Lagos até Odemira. Depois de negociado com os produtores dessa área, o cereal era armazenado nos celeiros, em frente à zona de laboração. 

Após ser transformado em farinha, o produto era entregue ao agricultor, mediante o pagamento de uma maquia. Nesta instalação era moído trigo, milho, centeio, cevada, fava e aveia.  A partir de 1963, também se produziram rações, tendo sido, para esse efeito, instalado um moinho de martelos. A chancela da firma, de 1970, refere que se dedicava a “mercearia, adubos, ferragens, tabaco por grosso e moagem de cereais”. 

 

As alterações sociais decorrentes da Revolução de 25 de Abril de 1974, levaram a que Manuel Duarte Fragoso tivesse passado a exploração fabril aos seus moleiro e motorista, que formaram a sociedade - José António e Ricardo, Ldª. Em 1977, esta firma dissolveu-se, ficando a moagem com Ricardo Lourenço Vilhena, que a manteve até 2001. O espaço foi arrendado, em 2008 e 2012, a distintas pessoas e para farinar, mas acabou por não ter continuidade.

 

Após três anos do centenário da sua implementação, estas instalações passaram a acolher um colectivo que, mantendo a designação de origem - Moagem - as tem utilizado como centro cultural, com actividades artísticas, de cariz ecológico, desenvolvimento pessoal, teatro, dança e música, e como bistrô vegetariano e cafetaria. Para a caracterização dos seus espaços e ambientes, a nova ocupação recorreu à memória deste lugar, fazendo conviver, com o novo uso, as antigas máquinas e artefactos desta indústria.

 

Rui Maneira Cunha 

(Associação Portuguesa de Arqueologia Industrial)

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